Os produtos nacionais continuam a ser a primeira escolha dos portugueses?
Os produtos nacionais mantêm um lugar especial no carrinho de compras dos portugueses e continuam a desempenhar um papel relevante na forma como os consumidores organizam as suas escolhas no dia a dia. Esta tendência, que se tem vindo a consolidar ao longo dos últimos anos, reflete não apenas hábitos culturais, mas também uma crescente consciência sobre o impacto económico das decisões de compra relacionadas com produtos nacionais.
Para assinalar o Dia da Produção Nacional (26 de abril), a consultora Nielsen divulgou um estudo que revela, de forma detalhada, as preferências dos consumidores portugueses quando escolhem entre produtos nacionais e marcas globais. Os resultados apresentados mostram não apenas o que os portugueses compram, mas também porquê — e de que forma estas escolhas influenciam a economia, a produção e até o comportamento de compra a nível nacional.
Em algumas categorias os portugueses têm preferência pelos produtos nacionais. Fruta, vegetais e carne (74%, 74% e 72%, respetivamente) são as categorias onde há uma maior tendência para optar por produtos de origem nacional e estas são também as principais escolhas dos europeus. Assim, o estudo reforça que, sempre que falamos de produtos frescos, os consumidores valorizam de forma muito clara os produtos nacionais, associando-os frequentemente a maior frescura, qualidade e confiança, fatores que pesam fortemente no momento da compra.
O leite (63%) é, por sua vez, um produto muito procurado no que se refere à preferência por produtos nacionais. Esta preferência pode ser explicada pela percepção de proximidade da produção, pelo controlo de qualidade e até pela tradição de consumo de leite produzido localmente, algo que ainda tem bastante peso nas escolhas dos consumidores portugueses.
Que razões levam os portugueses a optar por produtos nacionais?
A grande maioria opta pela compra de produtos nacionais para ajudar a impulsionar o comércio local e, consequentemente, a economia nacional (70%, sendo a média europeia de 60%). Este dado demonstra que, apesar da existência de produtos estrangeiros competitivos, os portugueses mostram uma forte consciência económica e um interesse crescente em apoiar a produção nacional através da escolha de produtos nacionais.
Para 41% dos inquiridos, as marcas globais são mais caras face aos produtos nacionais, o que acaba por influenciar a decisão de compra, sobretudo em categorias em que a comparação de preços é mais evidente. E para 56% o fator mais importante é ter um preço mais baixo, independentemente da origem. Ou seja, embora exista um claro interesse em apoiar o nacional, o preço continua a ser um dos elementos mais determinantes no momento da compra, especialmente em contexto de instabilidade económica.
Esta sensibilidade ao preço está também refletida noutros estudos sobre o consumidor português. Segundo o Observador Cetelem, Portugal é mesmo o país europeu onde mais se compram marcas da distribuição, um comportamento que reforça a importância do preço e da racionalidade na hora de escolher entre produtos nacionais, marcas globais ou alternativas mais económicas.
58% considera ainda que as marcas globais são mais inovadoras em comparação com a produção nacional. Este valor mostra que, apesar da grande valorização dos produtos nacionais, existe também a percepção de que as marcas internacionais conseguem investir mais em tecnologia, marketing ou desenvolvimento de novos produtos.
Um total de 24% considera que a origem do produto é mais importante do que o packaging, no entanto a maioria considera que o preço, as promoções ou a oferta de produtos (46%, 43% e 54%, respetivamente) são tão importantes como a origem do produto. Assim, percebe-se que o consumidor português avalia vários fatores em simultâneo, combinando emocionalidade (origem local) com racionalidade (preço, promoções e variedade), mesmo quando se trata de escolher produtos nacionais.
Quais os fatores mais importantes no momento da decisão de compra?
Os fatores que mais contribuem para a compra de marcas globais são a relação preço-qualidade (62%), sendo também fundamentais as promoções (45%) e a experiência anterior com o produto (42%). Estes elementos reforçam que o consumidor valoriza consistência, fiabilidade e relação custo-benefício quando opta por marcas internacionais.
Já no que se refere aos produtos nacionais, os fatores mais importantes são igualmente a relação preço-qualidade (50%), a experiência anterior com o produto (35%) e as promoções (32%). Este resultado demonstra como é fundamental promover a experimentação dos produtos nacionais junto dos consumidores, uma vez que a experiência positiva tende a aumentar a probabilidade de repetição da compra e fidelização.
Ecommerce: quais as categorias mais procuradas?
As compras online demonstram que, em relação às marcas globais, os telemóveis são a categoria mais procurada (58%), seguindo-se os computadores (55%) e o vestuário/sapatos (40%). Estes números mostram que os consumidores procuram online sobretudo produtos tecnológicos ou de maior valor, onde a comparação de preços e especificações pode ser feita facilmente.
Já no que se refere aos produtos nacionais, as categorias mais procuradas são a alimentação e bebidas (36%) assim como o vestuário/sapatos (34%). Este dado evidencia que os consumidores começam também a recorrer ao ecommerce para adquirir produtos nacionais, nomeadamente alimentos e artigos de moda, áreas onde as marcas portuguesas têm vindo a ganhar cada vez mais visibilidade.
Os consumidores optam pelo ecommerce essencialmente por uma questão de preço (65%), sendo a conveniência um fator igualmente importante (54%). O facto de os produtos não estarem disponíveis no comércio tradicional (42%) também é um fator a ter em atenção, revelando que o omnicanal é hoje decisivo para garantir que os consumidores encontram o que procuram, seja nacional ou global, incluindo uma maior variedade de produtos nacionais.
4 de Maio de 2016 por Rita Gonçalves