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Como escrever uma carta de motivação

Como escrever a melhor carta de motivação na candidatura a um emprego


Já deve ter percebido que, muitas vezes, quando se candidata a um emprego lhe pedem uma carta de motivação, para além do currículo. A carta de motivação serve para mostrar quem é e a razão pela qual se candidata a determinada oportunidade. Deve, por isso, ser adaptável às diferentes vagas a que se pretende candidatar e ser capaz de garantir uma entrevista.

Neste artigo ensinamos-lhe como ter a carta de motivação ideal para qualquer candidatura a emprego.


1. Procure conhecer bem a empresa

A carta de motivação não é um curriculum vitae abreviado, por isso, deve ser adequada a cada empresa, a cada função, a cada futuro empregador.

Assim, sempre que preparar uma carta de motivação, faça uma pesquisa exaustiva sobre a empresa na qual pretende trabalhar: a sua história, a sua visão e missão, os valores que a norteiam. Procure saber quais os objetivos que a empresa pretende alcançar a médio e longo prazo e mostre como os seus conhecimentos e competências podem ser uma mais-valia para a conquista dessas metas.

Feita essa pesquisa, ponha mãos à obra: escolha criteriosamente a informação pessoal e profissional que pretende incluir, o vocabulário e o registo linguístico em função do espírito e cultura da empresa: para empresas mais conservadoras, o seu léxico e registo linguístico deverão ser mais formais; para empresas mais modernas e com uma cultura menos rígida, já poderá arriscar um tom mais informal e “fora da caixa”.


2. Exmo(a). Sr(a). quem? Investigue!

É “fundamental dirigir a carta de motivação à pessoa que está a recrutar”, diz Célia Marques. Através do LinkedIn ou até mesmo do website da empresa a que se candidata, deve tentar descobrir quem está responsável pelo recrutamento para a vaga que quer conquistar. Se não conseguir saber, em último caso, dirija-se ao Director(a) do Departamento de Recursos Humanos. É desaconselhado começar a carta com um “Olá, empresa x”. E por muito que “bom dia”, “hello” ou “bonjour” possam parecer encantadores, a carta continua a ter um “contexto formal”. Deve dirigir a sua carta sempre a alguém.


3. Agarre o recrutador(a) com a primeira frase

Iniciar uma carta de motivação com informações pessoais não é a melhor estratégia. Célia Marques explica o porquê: “Tem de se estabelecer logo uma ligação com a empresa.” Ou seja: se quer trabalhar num lugar onde se produzem sapatilhas, o melhor é fazer o(a) recrutador(a) saber que está familiarizado(a) com a marca. E que “é cliente ou um potencial cliente”. Assim, mais do que ninguém, poderá “entender o comportamento” do consumidor, apresentando outra perspectiva. Depois, pode falar-se, ao de leve, sobre a parte profissional — onde começou, o que aprendeu, o que fez e, claro, o que faz.


4. O que prova que é a melhor pessoa para contratar?

Depois daquele arranque que prende o recrutador(a) ao ecrã, tem de provar o porquê de ser a pessoa certa para o cargo. A área académica é importante, bem como as formações que vai fazendo para se manter actualizado — mas não deve incluir “formações feitas há dez anos” das quais já não se recorda muito bem. Caso esteja a iniciar o seu percurso profissional e tenha tido a oportunidade de estudar noutro país (ou fazer voluntariado, por exemplo), é importante que o refira. 

Mostre quais os benefícios que a empresa terá em contratá-lo, realçando as competências que poderão trazer valor à empresa. Procure fazer uma boa articulação entre essas competências e os motivos que o levaram a candidatar-se.

Mas atenção: seja cauteloso. A fronteira entre a valorização pessoal e o exibicionismo é muito ténue, por isso, deve ser muito sábio e prudente nas palavras que escolhe para caracterizar os seus talentos e capacidades.


5. Terminar em beleza

“Na frase final, deve dizer que, como utilizador(a) daquele produto, ficaria muito feliz em aprender e agregar valor à empresa. E que se sente muito motivado pelo que pode fazer”, explica Célia Marques. É essencial que faça o seu trabalho de pesquisa para que o seu conhecimento sobre aquela empresa transpareça na carta de motivação (que deve ser personalizada). Termine com os habituais “Com os melhores cumprimentos”, acrescente a sua assinatura e os seus contactos. Fácil, não é?


6. Seja claro, breve e objetivo

Diga muito em poucas palavras! Isto é, fale sobre a sua formação académica, experiência profissional, interesses e capacidades de forma breve e clara.

A clareza e objetividade são qualidades centrais numa carta de motivação. Antes de o avaliador iniciar a apreciação das suas qualidades, há um objetivo essencial: captar a sua atenção. Textos longos e demasiado palavrosos são a desculpa perfeita para fazê-lo desistir da leitura, por isso, se quer prendê-lo do princípio ao fim, então seja claro, breve e objetivo!

Evite o uso exibicionista de palavras demasiado eruditas e pomposas e opte sempre por um vocabulário acessível e descomplicado. O segredo está em revelar os seus melhores atributos de forma clara, breve e objetiva.


7. Seja autêntico e criativo(a) no texto, mas opte pela simplicidade visual

Pesquisa feita, texto acabado: está feliz com o resultado. Mas não envie já o documento: certifique-se que tudo está o mais simples possível e legível. Não é que seja lei, mas a recrutadora aconselha o uso de fundo branco, texto justificado e um tipo de letra ‘normal’. “Não precisa de ser a mais usada, como Arial ou Calibri, mas não deve chocar visualmente”, acrescenta. Sem ressentimentos, Comic Sans MS, Papyrus ou Snap ITC.


8. Faça uma revisão atenta da sua carta

Rever o que escreveu tem um objetivo precioso: mostrar ao avaliador que, apesar de criativo e autêntico, também é rigoroso. Acredite: continuará a somar pontos.

Uma carta de motivação sem gralhas, sem erros ortográficos, gramaticais e de pontuação revela muito sobre si: primor, dedicação, excelência. Qual o empregador que não aprecia estes atributos?

Incorreções linguísticas, como “ir de encontro às expectativas” (em vez de ir ao encontro das expectativas), “enviarei-lhe o CV” (em vez de enviar-lhe-ei o CV), “estou melhor preparado” (em vez de mais bem preparado) não só mancham a sua imagem como podem excluir de imediato a sua candidatura.

Se pretende projetar uma imagem profissional credível, a sua carta de motivação deve espelhar um elevado padrão de excelência linguística.


Agora que já viu estas dicas, já se sente preparado(a) para escrever a sua carta de motivação?


Se precisa de mais dicas para conquistar o seu emprego de sonho e garantir o seu sucesso profissional, dê uma espreitadela nestas:


Fonte: Público e VISÃO

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