Gostei muito de ler este artigo de opinião de Diogo Pinheiro no Briefing, do qual saliento o excerto abaixo:

Muitas marcas fizeram uma transição de anos em apenas duas semanas para o digital, acima de tudo, como instinto de sobrevivência. Este sprint ao mundo online acaba por acentuar a insustentabilidade e a falta de formação das empresas na área. Pelo receio de não aparecer, algumas marcas acabam por açambarcar plataformas e por levar redes sociais e canais de que na verdade não precisam. Até porque ao contrário do que se pode pensar, isto é uma maratona e não uma corrida em velocidade – a consistência e a qualidade da passada são fundamentais.

Quem vai à frente no percurso já percebeu que o digital não é um meio aparte. A estratégia de marketing já não se divide em on e offline, mas é agora simbiótica e, mais do que isso, moldável ao contexto do seu público-alvo – em ferramentas e em conteúdo. Também a este respeito, é importante realçar que o importante não é estar em todos os meios, mas sim, nos que interessam ao nosso target. Então, como podem as empresas tirar partido das potencialidades digitais, mantendo o seu posicionamento?

Quem me conhece sabe que tenho dito que, a curto prazo, a escassez de talentos não será em competências digitais, mas em competências de interacção humana, comunicação interpessoal, inteligência emocional, empatia e diplomacia. Em Janeiro passado, vi pela primeira vez no aeroporto de Frankfurt um anúncio da gigante SAP sobre a humanização e o contacto pessoal nos negócios e pensei: pode ser um bom sinal.

É imperativo estar online? Sim, hoje em dia faz parte de, pelo menos, “cumprir os mínimos olímpicos”. Mas o online sozinho não substitui o atendimento, não nutre uma relação, não salva um negócio mal orientado e, desenganem-se os últimos iludidos, só fica barato se for mal feito (que é como quem diz, mesmo quando parece barato, fica caro). E, sobretudo, o online não é nem deve ser usado de igual modo para todos, por ânsia de imitação (é velha e inútil a fórmula “one-size-fits-all”).

Vale a pena pensar sobre o conceito “omnicanal” (integração de online+offline na distribuição e na comunicação) que Diogo Pinheiro refere tacitamente. E, por isso, vale a pena continuar a pensar primeiro em pessoas e depois em plataformas. Tenho ainda muita dificuldade em encontrar bons profissionais e bons exemplos no exercício desta complementaridade.

Se vai optar por ter presença online, faça-o como deve ser: como, e com, tudo o resto.

Raquel Ribeiro, Querer Além