Público, 19.03.2010

Portugal é um dos quatro países europeus onde as intenções de poupança foram superiores às intenções de aumentar a despesa, em 2009, o que teve como origem o clima de crise económica, indica o estudo anual O Observador, dedicado às intenções de consumo na Europa. “Pela primeira vez em dez anos, as intenções de poupança são superiores às intenções de consumo em quatro países: Espanha, França, Itália e Portugal”, conclui o estudo ontem divulgado, realizado pelo Cetelem, banco de crédito ao consumo do BNP Paribas, com base num inquérito a 8000 pessoas em 12 países europeus, realizado no final de 2009. Entre os portugueses inquiridos, 45 por cento disseram que têm intenção de subir as suas poupanças, contra 41 por cento que pretendem comprar mais produtos. Os consumidores nacionais destacam-se também entre aqueles que mais acreditam na mudança da forma como fazem compras, de forma duradoura, devido à crise actual (ver gráfico). Com efeito, 74 por cento dos inquiridos estão convencidos de que os comportamentos vão passar a ser outros, mesmo depois de retomado o crescimento económico. As mudanças de hábitos não se traduzem, todavia, em más notícias, salienta o estudo. Uma das novas tendências parece ser o consumo de produtos ecológicos, alguns dos quais já bem enraizados no mercado nacional. É o caso da utilização de papel reciclado (75 por cento dos inquiridos portugueses afirmam que já o fizeram, a maior percentagem dos 12 países), da compra de produtos biológicos ou da aquisição de um automóvel que se considera não-poluente. Já a fidelidade a uma marca, devido a vantagens como a oferta de saldos bonificados ou de talões de redução, é um hábito pouco comum no mercado nacional de consumo face aos outros países. Os italianos e os húngaros, por exemplo, são fáceis de seduzir por saldos bonificados (85 por cento nos dois países confessam que esta facilidade influenciou a respectiva fidelidade a uma marca). Em Portugal, são 61 por cento aqueles que cederam ao charme desta estratégia, contra uma média global de 73 por cento. Nos talões de redução, a tendência é igual: 61 por cento de adeptos nacionais, contra 82 em Itália e uma média de 70 por cento.