“10 mil clientes mistério (são pagos para consumir e avaliar)

Fazer compras, comer em restaurantes e frequentar hotéis ou um SPA pode ser uma fonte de rendimento para quem quer ser cliente mistério. Tiago é um dos mil portugueses que se tornaram “voluntários” para avaliar serviços abertos ao público. Estudante na área da Comunicação, Tiago, de 28 anos de idade, tornou-se cliente mistério há três anos e meio quando procurava uma actividade paralela aos estudos que lhe desse “algum apoio económico” e também “prazer”. Anúncios publicitários apresentaram-lhe a perspectiva de fazer auditorias à qualidade de atendimento em empresas, lojas, restaurantes ou hotéis, um conceito que conhecia, mas não de uma forma aprofundada. A designação “mistério” foi o suficiente para o convencer e, na acção de formação da empresa de consultoria, percebeu que não seria um “advogado do diabo”, mas antes um auditor que contribui para a melhoria dos serviços. Agora, soma mais de 500 visitas como consumidor “profissional” e quer continuar mesmo depois de arranjar um trabalho a tempo inteiro. “Dependendo da complexidade da tarefa, que pode ir desde a avaliação de uma refeição num restaurante até a um fim-de-semana num hotel, a remuneração pode variar entre 7,5 euros e 200 euros”, explicou Cristiani Oliveira, directora-geral de uma empresa de consultores, onde o Tiago é cliente mistério. As avaliações são possíveis em todos os locais onde haja interacção entre consumidor e empresa, tais como lojas, restaurantes, hotéis, seguradoras, bancos, transportes públicos, telecomunicações e até hospitais. Os clientes mistério, que apenas têm de ter mais de 18 anos de idade para assinarem um contrato de confidencialidade, são contratados a fornecedores desses serviços pelas empresas que querem ser avaliadas. Esta forma de fazer auditorias, baseada numa metodologia norte-americana, tem como objectivo permitir às empresas conhecerem os seus pontos fortes e fracos e “optimizarem” as acções de formação, precisou Cristiani Oliveira, recentemente empossada vice-presidente da Associação dos Fornecedores de Compras Mistério (MSPA, em inglês).”

Gentilmente enviada pela Ana Luísa.

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