50% dos alunos entre 8 e 12 anos tem conta bancária, meninas preocupam-se mais em poupar

Um estudo feito a crianças entre os 8 e os 12 anos revelou que metade tem conta bancária e a maioria entende que está na altura de começar a poupar, com as meninas mais empenhadas nesta tarefa. Entre fevereiro e julho deste ano, uma equipa de investigadores coordenada por uma técnica do Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas (ISCSP) inquiriu 245 meninos de duas escolas do 1º ciclo do ensinop básico com contextos socioeconómicos “muito diferentes”: a escola pública na Penha de França e os Salesianos do Estoril. Os resultados preliminares mostram que existem situações em que não há diferenças entre os alunos das duas escolas e outros casos em que o seu meio socioeconómico faz diferença. “Aproximadamente metade das crianças diz ter conta no banco”, revela o sumário dos resultados preliminares do estudo “consumo e poupança das crianças”, para o qual foram entrevistados também os pais dos alunos que confirmaram a informação prestada pelos filhos no que toca a contas bancárias. São mais de 70% as crianças que dizem ter, pelo menos, mealheiro. Mas é nos Salesianos que a posse de mealheiro, conta no banco ou ambos é mais elevada. Curioso é o facto de a maioria das crianças achar que “deverá começar a poupar agora”, sendo que esta convicção é mais forte nos Salesianos (75%, por oposição a 57% na Penha de França). Feita uma análise entre os sexos percebe-se que “as raparigas são as que se declaram mais empenhadas em começar a poupar agora”. “Nenhuma criança diz que se limita a gastar, sem poupar”, lê-se no sumário do estudo coordenado pela investigadora do ISCSP, Raquel Barbosa Ribeiro. A importância da poupança é uma ideia que é incutida às crianças pelas famílias, apesar de ser também um tema recorrente nos anúncios, dizem 65% dos alunos da Penha de França e 80% dos Salesianos. Cerca de 85% das crianças vai habitualmente às compras: Os alunos dos Salesianos vão acompanhados mais pelos pais e irmãos, enquanto os da Penha de França vão também com outros familiares, como avós, tios ou padrinhos. Os itens de consumo mais comprados pelas crianças são brinquedos, jogos, roupa, sapatos, acessórios, comida, bebida e guloseimas. Os meninos da Penha de França dizem comprar mais brinquedos e jogos, enquanto os livros são mais mencionados pelas crianças dos Salesianos. Curioso é elas admitirem terem uma preferência por ir comprar roupa e eles uma apetência por brinquedos e jogos. “Cerca de 26% das crianças da Penha de França e 20% dos Salesianos dizem que não costumam comprar nada”, diz o resumo do estudo. Apesar de ainda serem pequenos, os alunos já têm uma “uma perceção realista dos preços”, sendo a hierarquia dos custos feita pelas crianças “bastante realista”, sobretudo quanto à tecnologia e à roupa.
 

Entre fevereiro e julho deste ano, uma equipa de investigadores coordenada por uma especialista do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) entrevistou meninos entre os oito e os 12 anos de duas escolas do 1º ciclo com contextos socioeconómicos “muito diferentes”: a escola pública na Penha de França e os Salesianos do Estoril.

“Às crianças de ambas as escolas, uma pessoa pobre parece ser mais simpática, mais poupada e mais honesta do que uma pessoa rica. As crianças dos Salesianos têm uma visão mais idealista da pessoa pobre do que as crianças da Penha de França, para quem o dinheiro é mais importante para a felicidade e a conquista de amizades, mas não para a sua própria amizade”, lê-se no sumário da investigação sociológica sobre consumo e poupança das crianças do 3º e 4º ano.

notícias.rtp.pt, 10/11/2011

Aos olhos de uma criança, os pobres parecem mais simpáticos, mais poupados e mais honestos do que os ricos, segundo os resultados preliminares de um estudo nacional sobre consumo e poupança que inquiriu 245 alunos do 1º ciclo.

O estudo coordenado pela investigadora do ISCSP Raquel Barbosa Ribeiro conclui que oito em cada dez meninos, independentemente da sua escola, não acredita que conseguisse viver sem dinheiro. Mas a principal utilidade do dinheiro varia consoante o meio social: os alunos da Penha de França entendem que a principal utilidade é pagar contas de água e eletricidade, porque é “uma preocupação que ouvem muito aos pais”, enquanto os meninos dos Salesianos consideram que a principal utilidade do dinheiro é a poupança. Seis em cada dez crianças acredita que os ricos são mais felizes (61%) e mais de metade (51%) acha que quem trabalha muito é recompensado. Mais de 90 por cento das crianças recebe dinheiro, seja de forma regular ou esporadicamente. As crianças dos Salesianos recebem mais que as da Penha de França, mas os valores são aproximados: 18 euros na Penha de França e 22 euros nos Salesianos. Nas duas escolas, mais de 70 por cento acredita que a melhor forma de ter dinheiro é tendo um trabalho. Poupar é uma palavra que pertence ao vocabulário e atos de 73% dos alunos da Penha de França e 90% dos Salesianos. Se bem que os meninos da Penha de Franca acabam mais vezes por entregar aos pais as suas poupanças enquanto os dos Salesianos têm mais o hábito de os guardar no mealheiro. Os meninos da Penha de França (42%) usam o dinheiro para ajudar a família, enquanto 37 por cento dos Salesianos guardam o dinheiro, “sem o gastar nem doar”. Entre a maioria das crianças (60 por cento) existe a ideia de que é preciso portar-se bem ou ter boas notas para ser premiado financeiramente, sendo mais comum entre os Salesianos a ideia de que não precisam fazer nada. Além das crianças, os investigadores inquiriam também os seus encarregados de educação e os pais garantiram não haver “tanta exigência como a que é declarada pelos filhos, especialmente quanto a ter que ajudar nas limpezas ou nas compras” para receber dinheiro.

Referências:

 
 
 
 
 
 

Destak, 10/11/2011